DEC.LEI Nº344/97

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Escrever é poder amar-te



quarta-feira, 24 de outubro de 2007

MAIS RÁPIDO

Às vezes deixava que o azul-china lhe tingisse o indicador e o polegar: ficava a admirar-se naquele borrão que alastrava lentamente permitindo uma maior visibibilidade das linhas das impressões dos dedos como um mapa topográfico impresso na pele. Conseguía ler montes e vales, depressões, uma pequena falha na crosta provocada por um golpe feito pela lâmina afiada de uma folha de papel... ardía, ardía muito como se a dor fosse insuportável e de dentro do peito, da barriga. Sabía que ardía porque o papel tem composto de cal e é isso que faz arder. Mas que interessa a cal e o composto se a folha só serve para ser sacrificada às palavras, cortar dedos descuidados e gulosos e ainda aparar os borrões tingidos na polpa do indicador?
Às vezes recheava folhas e folhas e o afilhado lía, com muitas paragens, como se faltassem bocados, palavras de união entre o sentir e o pensar, o querer e o agir. Ela arrancava-lhe as páginas da mão à bruta e desfiava os textos sem paragem, uma melodia completa sem o embaraço da paragem para respirar. Suspirava no fim, cansada, feliz.
E o afilhado retomava a leitura e achava-lhe fendas, depressões como um terreno acidentado em que ora se encontra pedra ora se nada no lago.
É que as mãos não eram rápidas o suficiente para apararem tanto pensamento.

3 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
ás vezes,
as vezes buscam
imaginários espirais
ás vezes,
as vezes encontram
suspiros e ciciados ais
*
xi
*

Anónimo disse...

Adorei, que textos fantásticos tanto num blog como neste, quem assim escreve merece estar na blogsfera...

Dias disse...

Que texto fabuloso miuda... uma perola by you.

Beijo com Cal