O fio hirto do aço penetra na carne, ergue um pedacinho da pele, no vidro tinto um pouco de seiva e agora de uma vez só, lenta e libidinosa empurra o embolo esguichando o liquido incolor. Cerra os olhos, os dentes, as pernas. Arde. Solta no tacto a meia de nylon enrolada como a cobra.
O queixo pende no peso da saliva que lambe nos lábios, mil cores batem nas pestanas maquilhadas a negro, eyeliner na mão firme da manhã, brilhantes nos dedos pingados a beringela nas unhas que se encaixam nos joelhos frios. Solta as pernas, os pés esfregam no tapete kisch de cor rosa bombom os afagos que lhe queimam na falta. Sente-os, sente as mãos num vai-vem. Sorri. Ri. Geme. Quer mais. Sente-se. Na força do toque lateja a ondulação do sofá de couro que range. Agita-se, dobra-se no ventre, sacode o cabelo no golpe de pescoço longo, a tatuagem pisca um olho, encaracola nos sentidos todos os mundos que conhece.
Agora quer dormir, não abre os olhos. A vida passa devagar, tão devagarinho assim, talvez a agarre, não a perca...
5 comentários:
Pois que nessa margem, nunca se afunde esse Titanic enorme que existe dentro de ti!
...Agarra sempre, não a percas!
She`s back!!
"O queixo pende no peso da saliva que lambe nos lábios"
"brilhantes nos dedos pingados a beringela nas unhas que se encaixam nos joelhos frios"
"lateja a ondulação do sofá de couro que range"
"encaracola nos sentidos todos os mundos que conhece"
Muito bom miuda
Beijo
(e ainda existe uma tatuagem...)
A vida passa devagar e os sentidos por aqui correm...
Beijinhos
BF
No sossego do desassossego a vida quase que pára.
Que esse sono não te impeça de me dares a tua mão.
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