DEC.LEI Nº344/97

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sábado, 3 de novembro de 2007

PONTO PÉ DE FLOR

Quería ter sido médica, mexer em cicatrizes, tendões, orgãos, agulhas, batas brancas, salvar vidas. Mas o pai, austero amputou-lhe a vontade: quer linhas e tesouras, costuras e uniforme vai para a escola aprender bordados. Ela foi. Ela aprendeu. Ela era a melhor. Ela era mestra na arte de coser.
O pai, senhor determinou a sua mão na vontade de outro homem, que tanto talento era dote garantido. Ela foi. Ela aprendeu. Ela era a melhor a pregar botões e a coser baínhas.
Ficou cansada de tanto bordar para os outros e nunca ter salvo nenhuma vida.
Resolveu salvar a sua: bordou nos seus lábios um lindo ponto pé de flor e entregou-se ao mar.

5 comentários:

[[cleo]] disse...

É tristemente belo o que acabo de ler!
As vontades esventradas pela prepotência, só podem trazer a desgraça...

Beijo

Bichinho disse...

Beijo fantasma.

Papoila disse...

ponto pé de flor....

triste... mas muito bem escrito

Beijinhos
BF

poetaeusou . . . disse...

*
entregou-se ao mar,
,
sublime entrega
*
xi
*

Chat Gris disse...

:)