DEC.LEI Nº344/97

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sábado, 1 de março de 2008

NO ESCURO

Não era só ela que respirava aquele nocturno, também os móveis estalavam o suspiro fundo que só é permitido quando o escuro avança no privado da intimidade e os demais objectos ganham vida movendo-se lentos e agigantados na pretensão de saber se tudo dorme. Ela não dorme, abre muito os olhos e ouve o coração a bater forte, talvez desperte paredes e estas deixem de escorrer as horas amareladas quando o sono não chega e se cavalga no pensamento veloz em caminhos tão diferentes como a saudade e a lembrança ou a voz de alguém amigo e a lonjura ou ainda nos amores que já passaram e o gosto dos seus beijos. Encolhe-se na roupa até ao queixo, esconde-se do que não vê, o frio subito que se acomoda no pescoço e na barriga é o medo de não perceber o que a rodeia, monstros que a espreitam se desatenta adormece no cansaço. Talvez se esticar a mão atenda a esta capa azul fundo que paira sobre o quarto mas sabe-se lá o que a aguarda por baixo da cama, aninhado e expectante, num pulo caça-a e sem força para resistir deixar-se-á levar para todo o sempre para o escuro. Adormece.

3 comentários:

impulsos disse...

Sabes uma coisa Sant'Ana?
Também eu tenho medo do escuro...
Os mesmos monstros que imaginava em criança, continuam a perseguir-me até aos dias de hoje.No escuro do meu quarto,imagino uma mão peluda que, vinda debaixo da minha cama, trepa pela borda do colchão, vindo-me agarrar sem que eu possa fazer nada para a deter...
É o meu lado infantil que teima em não me abandonar... até nas minhas fantasias.

O teu texto, maravilhoso como todos os outros!

Beijo

GarçaReal disse...

Os medos nocturnos de uma noite que não acaba, que transporta uma insónia que por vezes amedronta o âmago e tenta apagá-lo.

Gostei

Bjgrande do Lago

Bom domingo

Moonlight disse...

Um ser nocturno a espera e perante tal ternura ela deixa-se adormecer nos seus braços.

Beijo