DEC.LEI Nº344/97

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domingo, 16 de dezembro de 2007

NOITE NA CAPITAL

Enterrou as mãos nos bolsos, o nariz nas golas levantadas, as imagens no peito. Assim, à noite, apenas a sombra a persegui-la pelos candeeiros mortiços do bafo branco do frio parece um animal solitário que cata restos de comida nos caixotes por despejar, colada aos edificios adormecidos no cinzento da hora tardía. Cruza-se com outras pessoas, rostos perdidos na companhia deixada ou na cama quente de abraços vadios. Esta noite não teve companhia nem tão pouco cama a convite, apenas um passar de mãos e braços a roçarem o desconhecido do abismo, um e outro perdidos naquele olhar que ela tão bem conhece: já o viu ao espelho, quando regressa e despe na madrugada o cheiro de fumo e suor, saliva e alcool. As imagens que leva são bocas, dentes, linguas atiradas ao despique da conquista, risos, sorrisos ensaiados para afarpelar a noite de luzes, brilhos e música que ecoa na cabeça entontecida. Depois o silêncio, talvez um e outro pormenor do palato sobre uns lábios mais doces que o habitual. Para além disso não quer lembrar mais nada, outra noite voltará, outros homens e mulheres voltarão a enlaçar-se no fosso da mentira de corpos em comunhão, ela voltará também e no regresso pensará em tudo isto e como faz parte deste logro prometendo a si mesma que será a última vez que sentirá frio.

1 comentário:

£oµ¢o Ðe £Î§ßoa disse...

Sinto as extremidades inferiores do meu lindo corpo completamente geladas!

Até.............................